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Maverick: Veja a história deste esportivo



Nos anos 70 a Ford buscava um veículo para completar a sua linha no Brasil e ocupar o espaço existente entre o Corcel, carro de entrada, e o topo de linha, o Galaxie. O escolhido foi o Maverick, um esportivo com motor dianteiro e tração traseira. A produção nacional começou em 1973 na fábrica de São Bernardo do Campo, em São Paulo.


Inicialmente o Maverick era oferecido apenas na configuração cupê, de duas portas, nas versões Super, Super Luxo e GT, com duas opções de motor: 3.0 litros de seis cilindros em linha e de 112 cv de potência e V8 5.0 litros de 197 cv. Ambos podiam vir equipados com câmbio manual de quatro marchas com alavanca no assoalho ou automático de três marchas com comando na coluna de direção.


A versão GT, com motor V8 e câmbio manual, tinha produção limitada e contribuiu para marcar a esportividade da linha. No mesmo ano, o carro ganhou mais uma opção com o lançamento do sedã de quatro portas.


No entanto, a crise do petróleo mudou radicalmente o perfil do mercado, que passou a priorizar a economia de combustível, deixando em segundo plano a potência dos veículos. Assim, em 1975 o motor de seis cilindros foi substituído por um modelo mais moderno e econômico, o 2.3 litros de quatro cilindros com comando de válvulas no cabeçote e 99 cv. Pouco depois, o modelo GT também passou a oferecer o mesmo motor 2.3 litros de série, tendo o V8 como opcional.


Até sair de linha em 1979, o Maverick somou 108.106 unidades vendidas no Brasil. Embora tenha sido descontinuado há quase 40 anos, o Maverick é bastante cobiçado por colecionadores e entusiastas de carros antigos. Modelo bem conservados e com alto grau de originalidade podem custar mais de R$ 100 mil, dependendo do estado de conservação.


Segundo o Departamento de Trânsito de São Paulo (Detran.SP), atualmente há 7.384 Mavericks registrados no estado, sendo 486 com a placa preta de veículos de coleção. A capital paulista lidera a lista de registros com 2.667 carros, seguida por Campinas (322), São Bernardo do Campo (157), Santo André (46) e Ribeirão Preto (140).



Impossível não perceber que um Maverick está por perto. O som do seu potente V8 ecoa de longe e seu visual esportivo chama a atenção de todos ao redor. Apesar da pequena trajetória, o modelo é considerado até hoje um clássico por inúmeros fãs.


Na história do automobilismo, a Ford conseguiu pela primeira vez unir o bloco de 8 cilindros em “V” numa única peça. Possuía três estruturas de virabrequim, que juntavam simplicidade e economia, e aos poucos tornou-se o motor mais vendido do mundo.


Possuía potência de 65 cv à 3400 rpm e alcançava uma velocidade de 120 km/h. Em seguida, a Ford apresentou duas versões, de 2200 cm³ (Model 60) e outro de 3620 cm³ (Model 85), sempre com 8 cilindros em “V”.


A família mais bem sucedida dos motores V8 da história veio em 1963, o famoso Small Block, da Ford, resultando em um dos menores blocos já fabricado. O primeiro modelo a receber o motor Small Block foi o 221, que equipou as belas curvas do Ford Fairlaine.

O mesmo bloco foi estendido para o 260, 289 e o nosso grande conhecido, o “V8 302”.

Mesmo assim, a Ford decidiu lançar o famoso Boss 302. Os principais pontos positivos ficavam nos 4 parafusos de estabilização do mancal do virabrequim de 7/16″, usado nas bielas dos cabeçotes 4V.


Passou a ser fabricado entre 1969/70 e rendia em torno de 290 hp a 5800 rpm.


Algumas lendas revelam que o nome surgiu um senhor fazendeiro chamado Samuel Maverick. Porém, o senhor era miserável, e seus animais eram obrigados a se virarem sozinhos. Ele não marcada seu gado com ferro quente, então, qualquer animal não marcado ficou conhecido como animais de “Maverick”.

Se pesquisarmos no dicionário Oxford, a palavra Maverick tem alguns significados, como homem independente, destemido e soberano.


A Ford quis homenagear Samuel Maverick, por isso vemos principalmente no emblema americano a representação do chifre de um touro, referindo-se ao estado de Texas.

Pouca gente sabe, mas a Ford não foi a primeira a usar o nome Maverick em um automóvel. A primeira empresa que utilizou o nome foi a Motor de Mountain View, Califórnia.


Nos anos 60, pouco antes da crise do petróleo, a Ford norte-americana procurava um modelo compacto, barato e econômico para competir com a avanço na concorrência dos modelos europeus e japoneses que dominavam o mercado.

Cada fabricante lançou sua própria versão do que deveria ser um carro compacto americano.


Com base na plataforma do Falcon, a Ford apresentou ao público o Maverick em 1969, um pequeno cupê dotado do clássico esquema de motor dianteiro com tração traseira, custando por volta de U$1.995 dólares, com 15 cores disponíveis.

Em seguida, em 1971, o renomado propulsor V8 de 302 polegadas cúbicas nascia.


Oferecia melhor dirigibilidade, praticidade e possuía boa parte da mecânica de seus irmãos mais velhos (Falcon, Fairlaine e Mustang).


O Falcon deu lugar para um belo cupê de longo capô e traseira curta, com o original formato fastback, modelo que dominava o final dos anos 60.


As principais reclamações focavam na direção lenta e os freios a tambor, que superaqueciam com facilidade.


Era oferecido em 2 motores Motor Thriftpower Six, herdado do Falcon, com seis cilindros em linha, comando de válvula no bloco, válvulas no cabeçote e duas opções de cilindrada:


  • 2,8 litros com potência de 82 cv e torque de 17,8 kgfm;

  • 3,3 litros com potência de 91 cv e torque de 21,3 kgfm.


Em seu primeiro ano foram vendidos aproximadamente 579.000 unidades, sendo considerado o anti-Fusca que tiraria os compradores da Volkswagen.

Em 1970 chegou a versão 4,1 litros de 98 cv e torque de 25,3 kgfm. Era apresentado o acabamento esportivo Grabber, com teto revestido em vinil, rodas com sobre-aros cromados e painel traseiro na cor preta.


Foi cogitada pela imprensa automotiva a promessa da adoção do V8 (bloco pequeno, small-block) de 302 polegadas, onde a Ford só confirmou a produção em 1971.

Os opcionais como freios dianteiros a disco, ar-condicionado e direção assistida foram introduzidos, fazendo com que o Maverick caísse ainda mais no gosto do consumidor.

Já em 1972, duas versões foram apresentadas: Sprint e LDO.


Maverick Sprint


Era um pacote oferecido também no Ford Pinto e no Mustang, caracterizado por uma pintura branca com faixas azuis e detalhes em vermelho, além do interior revestido com o mesmo esquema de cores.


Maverick LDO


Já a LDO (Luxury Decor Option) contava com bancos de encosto reclinável, revestimento imitando madeira, tapetes em tecido, pneus radiais, calotas que podiam ser na cor do carro e teto revestido com vinil.

Mas foi em 1973 que a dianteira instaurou um detalhe que destacava as linhas do carro.

No ano seguinte, o para-choque traseiro também sofreu modificações, alterando a leveza das linhas.

Mas, oposto ao que aconteceria no Brasil, o sucesso do Maveco nos Estados Unidos não foi abalado pela crise do petróleo em 73. O desfecho viria com a apresentação do seu substituto, o Granada, em 1975.



Maverick no Brasil


A missão do Maverick nos Estados Unidos era brigar com o avanço do Fusca. No Brasil esta tarefa foi confiada ao Ford Corcel. Mas por aqui o Maverick enfrentava o Opala, substituindo modelos como Itamary e Aero-Willys.


Mas calma, essa história é complicada, então vamos do começo!


No começo da década de 70, a Ford decidiu realizar uma pesquisa com alguns consumidores aqui no Brasil, com quatro veículos, todos brancos e sem identificação.


Os veículos eram: Chevrolet Opala, Ford Corcel, Ford Taunus alemão e o Maverick americano. Os consumidores já demonstravam uma certa a preferência por veículos europeus (para quem não sabe, o Corcel era um projeto do Renault 12).


Ao final dessa pesquisa, o Taunus foi o escolhido, gerando alguns problemas para a Ford.


Começando pelo motor. A produção do Taunus exigia um novo motor que só poderia ser produzido com a finalização da fábrica de Taubaté, interior de São Paulo.


A suspensão traseira independente aumentava o valor da produção, que se tornou inviável para a Ford.


Mas a Ford não desistiu e optaram pelo Maverick, já que a maioria dos componentes poderiam ser herdados do Aero-Willys, como motor e transmissão. Embora contrário à decisão do público, a Ford deciciu começar os planejamentos da fabricação.


Ocorreu uma pré-apresentação no Salão do Automóvel de São Paulo em 1972, mas o Maverick só veio ao mercado em 1973. Aconteceu também uma pré-apresentação do Maverick com motor 184, contou com a presença de 40 jornalistas, no dia 14 de maio de 1973.


Havia uma pequena alteração no logotipo no para-lamas dianteiro: não possuía o chifre de boi na letra “V”, como nos Estados Unidos.


John Garner, gerente de marketing da Ford explicou o apelido do Fusca com teto solar no mercado (Cornowagen) fez com que o chifre não fosse usado no Brasil.


O primeiro Maverick foi apresentado na versão duas portas cupê, porém, o espaço no banco traseiro não agradou o público de imediato.


Mas a carroceria era perfeita para a versão GT, que contava com cambio de quatro marchas e alavanca no assoalho. O Maverick era revelado em três versões, Super, Super Luxo e GT com motores:


Maverick Super e Super Luxo


Motor de 3,0 litros (herdado do Aero-Willys), com potência de 112 cv e torque de 22,6 kgfm, 6 cilindros em linha e peso de aproximadamente de 1.340 kg.

Essa versão contava com suspensão dianteira independente com braços sobrepostos e molas helicoidais, traseira com eixo rígido e feixes de molas semi-elipticas.

Era oferecido também (opcionalmente) o motor V8, todos com câmbio manual de quatro marchas no assoalho ou automático de três marchas na coluna de direção.


Maverick GT


Quatro anos antes, o Dodge Dart já se mantinha no mercado com um motor V8 de 318 cv, e o único concorrente era o Ford Galaxie, com potência mais baixa.


Então a Ford investiu em um motor V8 diferenciado para o Maverick, introduzindo o motor de 302 polegadas, potência de 199 hp (bruta) e 4.950 cilindradas cubicas, somente com câmbio manual de quatro marchas e acionamento no assoalho.


Sua aceleração de 0 à 100 km/h era feita em aproximadamente 11 segundos.

Contava com travas externas no capô, faróis auxiliares, bancos individuais com assento mais baixo, conta-giros sobrepostos à coluna de direção do volante, rodas de 14” e pneus Firestone Wide.


Aqueles que queriam mais espaço no banco traseiro tiveram que esperar cerca de cinco meses até o lançamento da versão sedã de quatro portas.


A crise do petróleo complica o Maverick


Com a crise do petróleo entre 1973 e 1974, o valor do combustível aumentou aproximadamente 400%, aumentando de 3 dólares para 12 dólares o barril.


Por isso, a Ford inseriu o motor 6 cilindros no Maverick, que ganhou a fama de “beberrão”, pois acelerava de 0 a 100 km/h em aproximadamente 20 segundos, o que pesou bastante na crise do petróleo.


Era um carro que, de acordo com os consumidores “andava como um quatro cilindros e bebia como oito”.


Após a conclusão da fábrica de Taubaté, o motor foi substituído para o notável propulsor Georgia 2.3 litros OHC com quatro cilindros em linha, comando de válvulas no cabeçote e correia dentada.


Concedeu ao Maverick um desempenho mais eficiente, permitindo aceleração melhor que o antigo 6 cilindros, alcançando aproximadamente 155 km/h, com 99 cv e torque de 16.9 kgfm.


Segunda fase


Nos Estados Unidos, o Maverick já estava aposentado desde 1977, mas a Ford apresentava a segunda fase do Maverick no Brasil. Alterações estéticas, novo interior, nova grade dianteira e novas lanternas traseiras.


Ganhou também modificações mecânicas como sistema de freios, eixo traseiro com bitola mais larga e suspensão revista.


Foi nesse mesmo ano que veio a versão LDO, versão mais cara do Maverick, contando com um acabamento mais refinado e interior monocromático. Para essa versão, um equipamento opcional foi oferecido, como câmbio automático de 4 marchas com acionamento no assoalho, exclusivo para o Maverick LDO.


As demais versões continuaram sendo produzidas com motor 2.3 OHC de série.


O Maverick GT recebeu modificações mais severas. Recebeu o capô do Grabber americano de 1971, ganhando duas entradas de ar, sem travas externas e passou a ser oferecido com motor 2.3 OHC e o motor 302-V8 era opcional para todos os modelos.


O fim do Maverick


A produção foi encerrada em abril de 1979, com aproximadamente 10.537 unidades fabricadas do Maverick GT, 85.654 de modelos cupês e 11.879 dos modelos com quatro portas.


Desde então, a Ford nunca mais apresentou um esportivo de motor V8 no mercado brasileiro, fora o Mustang importado que temos agora. Nestes anos desde o seu lançamento, restou uma grande saudade aos admiradores da versão 302 V8 GT.


Em uma busca rápida pelo Google, podemos perceber que os modelos são disputados no mercado de carros antigos, com preços bem altos.


Fontes:

https://www.noticiasautomotivas.com.br/ford-maverick/

https://carsale.uol.com.br

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